'Medicine At Midnight': novo álbum do Foo Fighters é um remédio contra a obviedade

Foo Fighters chega ao décimo álbum da carreira fugindo do óbvio

Foo Fighters

Medicine At Midnight
⭐⭐⭐⭐✰ 4/5

Por  Ricardo Cachorrão Flávio 


Quietos desde 2017, quando lançaram o bom álbum Concrete and Gold, Dave Grohl e sua gangue chegam com uma surpresa agradável logo no início de 2021: Medicine At Midnight, o novo disco do Foo Fighters.


A sonzeira abre com um riff vigoroso, que já deu boa impressão, mas vem emendado com um coro pop fácil e grudento (que pode irritar os mais tradicionais). O refrão chega a ser cansativo, mas “Making a Fire” se deixa ouvir numa boa. Isso é o Foo Fighters, puro, simples e direto.


Já a segunda faixa do álbum foi o primeiro single, “Shame Shame”, lançada nas redes ainda no ano passado, que traz uma sonoridade um tanto diferente do restante do trabalho da banda. Uma batida seca de caixa e prato na bateria de Taylor Hawkins, climas sombrios de teclados e vocal que, juntos, por momentos nos remetem ao trabalho de David Bowie, mais notada e diretamente “Fame”, de 1975, do álbum Young Americans.


Em recente entrevista para a revista OK! Magazine, dentre várias coisas, Dave Grohl falou sobre a canção que dá sequencia ao álbum: “Cloudspotter”, que segundo ele, "É um hino para os pessimistas", e continuou: "Um cloudspotter é alguém que encontra conflito ou dificuldade em tudo e não tem esperança. É uma espécie de canção de amor distorcida para alguém com essa visão pessimista e negativa de tudo". Essa é uma canção típica dos Foo Fighters, riff marcante, vocal gritado no refrão, música que vem numa crescente, começa devagar e vai ganhando empolgação até chegar ao final abrupto, do tipo que o público da banda adora cantar junto num show, lembram como era isso?


Outro single do disco “Waiting on a War” é uma canção com sonoridade mais leve, apesar do tema pesado. Em declaração a imprensa durante o lançamento do single, Dave se lembrou da infância, no início da década de 80, quando vivíamos sob a sombra da guerra fria e seu medo e pesadelos em torno disso, quando havia um futuro sem esperança. Isso veio à tona ao ser questionado por sua filha Harper, de 11 anos, se haverá uma nova guerra. O pensamento da situação de seu país, e a possibilidade real de haver um conflito, por ser governado por um irresponsável belicista, e que sua filha, passados 40 anos, passa pelo mesmo medo que ele passou, o mesmo futuro sem esperança, o fez escrever a canção na mesma hora. Por sorte, o governo mudou e a esperança de tempos mais tranquilos chegou.


A faixa título caberia no repertório dos Rolling Stones! Foi minha primeira impressão! E a segunda! E a terceira! Uma faixa que remeteu aos tempos de “Steel Wheels” ou “Voodoo Lounge”. Suave, boa cozinha, coro bem colocado, e guitarras que se fecham os olhos, imagino Keith Richards e Ron Wood se divertindo. Grande canção. “No Son of Mine” é pau puro! Homenagem a Lemmy Kilmister, baixista e vocalista do Motörhead, falecido em 2015, e é uma faixa que faria o homenageado feliz e orgulhoso de seu legado, é o que basta dizer.


Para encerrar o trabalho, uma sequência com “Holding Poison”, uma típica canção do Foo Fighters, para quem passou os últimos 25 anos em Marte e não sabe, um rock básico, com bons riffs, bem tocada, refrão bacana, nada demais, mas legal pra caramba, “Chasing Birds” que é uma linda balada e “Love Dies Young”, que, apesar de ditar que o amor morre jovem, começa com riff empolgante e tem um clima pra cima.


É improvável que nesta altura do campeonato a banda conseguirá arregimentar novos fãs com Medicine At Midnight! Quem curte o Foo Fighters e tudo o que já gravaram, gostará também deste décimo disco de estúdio. Agora, quem não gosta, não curte e torce o nariz, mantenha-se longe, esse disco não é para você, nem tente.


Assista o nosso ÁLBUM REVIEW de Medicine At Midnight do Foo Fighters, CLICANDO AQUI.

Bruno Eduardo

Jornalista e repórter fotográfico, é editor do site Rock On Board, repórter colaborador no site Midiorama e apresentador do programa "ARNews" e "O Papo é Pop" nas rádios Oceânica FM (105.9) e Planet Rock. Também foi Editor-chefe do Portal Rock Press e colunista do blog "Discoteca", da editora Abril. Desde 2005 participa das coberturas de grandes festivais como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Claro Q é Rock, Monsters Of Rock, Summer Break Festival, Tim Festival, Knotfest, Summer Breeze, Mita Festival entre outros. Na lista de entrevistados, nomes como Black Sabbath, Aerosmith, Queen, Faith No More, The Offspring, Linkin Park, Steve Vai, Legião Urbana e Titãs.

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