Veteranos do Death Metal brasileiro, Oligarquia desengaveta o furioso 'Monopoly Of Violence'

Oligarquia é uma banda veterana de Death Metal do Brasil

 

Oligarquia

Monopoly Of Violence
⭐⭐⭐⭐ 4/5

Por  Ricardo Cachorrão Flávio 


A OLIGARQUIA é uma banda paulistana do mais puro Death Metal que trilha pelos tortuosos caminhos do underground brasileiro desde 1992. Monopoly of Violence é o quarto disco da rapaziada, que foi gravado em 2017, mas, por essas mazelas do mundo do rock difíceis de entender, ficou guardado e foi lançado apenas em novembro de 2020 nas plataformas digitais, e tem apenas agora, no início de 2021, a sua esperada edição física, lançamento da Heavy Metal Rock, gravadora dedicada ao som extremo, de Americana, interior de São Paulo.


São 11 petardos carregados de ódio contra injustiças e a atual situação política, com uma assumida postura antifascista, sempre bem vinda, enfiados goela abaixo do ouvinte por Guilherme Sorbello, guitarra e vocal, Victor Pancho Munhoz, guitarra, Artour Queiroz, baixo e Panda Reis, bateria.


Desde a abertura do álbum, com “Cocaine”, a banda mostra amadurecimento e um trabalho com qualidade superior ao anterior, “Distilling Hatred”, de 2011. As faixas são curtas e diretas, sem tempo para perfumaria, é tudo muito urgente, guitarras pesadíssimas e cortantes ao mesmo tempo, misturadas com uma cozinha certeira e estonteante, com o baixo avassalador de Artour e os pedais duplos de Panda, que não dando tempo de respirar.


“Holders of Lies” e ”Fascist Heart (Fascist Empire)”, são alucinantes, rapidíssimas e pesadas. Quando começa “Summer Rain”, a impressão é que a banda irá dar uma amaciada, mas logo se dissipa e os vocais guturais apoiados pela avalanche sonora que se segue não deixam pedra sobre pedra. “Imminent Revolution” é a próxima e a música serve como primeiro clipe deste álbum, outra porrada e tanto.


As faixas que se sucedem mantém o nível do álbum: “Left Behind”,”Ideological Jail”, ”Look to Me”, ”Holy War”, ”We Must Die”, são pau puro para banger nenhum botar defeito. Para encerrar, um cover de respeito ”Nada é Como Parece”, da icônica banda de hardcore / metalpunk LOBOTOMIA, com participação especial do Edu Vudu, vocalista da última formação do Lobotomia, que, infelizmente, encerrou suas atividades.


Disco lançado e o aguardo para que a situação sanitária se normalize um dia e voltemos a ter shows para bangear até onde o pescoço aguentar. Material vasto para isso não falta, e a Oligarquia é prova viva.

Bruno Eduardo

Jornalista e repórter fotográfico, é editor do site Rock On Board, repórter colaborador no site Midiorama e apresentador do programa "ARNews" e "O Papo é Pop" nas rádios Oceânica FM (105.9) e Planet Rock. Também foi Editor-chefe do Portal Rock Press e colunista do blog "Discoteca", da editora Abril. Desde 2005 participa das coberturas de grandes festivais como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Claro Q é Rock, Monsters Of Rock, Summer Break Festival, Tim Festival, Knotfest, Summer Breeze, Mita Festival entre outros. Na lista de entrevistados, nomes como Black Sabbath, Aerosmith, Queen, Faith No More, The Offspring, Linkin Park, Steve Vai, Legião Urbana e Titãs.

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