Segundo álbum do Suck This Punch é coeso e merece ser ouvido com atenção

Suck This Punch: banda de metal formada em Limeira (SP)
 

Suck This Punch

The Evil On All Of Us

⭐⭐⭐ 4/5

Por  Ricardo Cachorrão 

 

A cada dia que passa me impressiono com a quantidade de bandas muito boas de metal que surgem no interior de São Paulo. E vem de Limeira, aproximadamente 150 km da capital, o SUCK THIS PUNCH, banda formada em 2015, que tem em sua formação Tadeu Bon Scott, no vocal, Phil Seven na guitarra, Matheus Bonon no baixo e Giacomo Bianchi na bateria e acaba de lançar seu segundo álbum, The Evil On All Of Us, lançamento da Voice Music, bancado por financiamento através do Edital de Apoio à Produção Cultural de Araras (Lei Aldir Blanc).

 

São nove faixas autorais e inéditas, que nos trazem uma banda muito bem entrosada, num trabalho com ótima produção e que merece ser ouvido com atenção. O disco abre com "Machines", canção que acaba de ganhar um caprichado clipe, tem um som vigoroso e dá ânimo para ouvir o que vem adiante.


"You Are the Best Gun (Against the System)" começa alucinante com o pedal duplo no bumbo e a guitarra cortante que entra na sequência. O metal nacional vem mostrando qualidade que não deixa nada a desejar para muita banda gringa endeusada pelo público tupiniquim, que parece sofrer de uma incurável síndrome de vira-latas, aonde só o que vem de fora presta, e nosso underground fica restrito aos guetos daqui, por que lá fora, recebem o devido valor.

 

O disco é bem coeso e linear, sem altos e baixos, as boas canções se nivelam por cima: "Alone", "Just Follows" (que possui uma parte lenta no meio que é linda), "Shout it Out", "We All Live in a Hole" são músicas onde se misturam na dose certa solos cortantes com riffs sujos e pesados, sempre bem guarnecidos por linhas de baixo corretas e uma bateria certeira, além do vocal de Tadeu Bon Scott, que não é dado aos exageros comuns de vocalistas em muitas bandas de metal, que acaba fazendo muitas delas sempre parecer uma tentativa frustrada e mal feita de cover do Iron Maiden, Judas Priest ou Helloween.

 

"Coward", tem um instrumental caprichado, começando com som de viola enquanto o tema se desenvolve, uma carta de suicídio não concluído. Belíssima canção, que encerra como começou, um caprichado som de viola. "Blindman" trás de novo a urgência, riff denso, pesado, cozinha bem feita.

 

Para encerrar, "Sons of War", canção de protesto da rapaziada, contra o preconceito e a discriminação dos negros e índios, e, para tanto, inicia ao som de berimbau e percussão tribal, numa mistura que lembra o Sepultura na fase Roots com Nação Zumbi e a turma do manguebeat, na única faixa do disco onde a Língua Portuguesa dá as caras, pelo menos na introdução. Com banda completa, a batida tribal continua embalando riffs pesados e agora, Tadeu volta ao Inglês presente em todas as músicas, até chegar ao final com uma cantiga de roda de capoeira, simbolizando e homenageando o povo africano.

Bruno Eduardo

Jornalista e repórter fotográfico, é editor do site Rock On Board, repórter colaborador no site Midiorama e apresentador do programa "ARNews" e "O Papo é Pop" nas rádios Oceânica FM (105.9) e Planet Rock. Também foi Editor-chefe do Portal Rock Press e colunista do blog "Discoteca", da editora Abril. Desde 2005 participa das coberturas de grandes festivais como Rock in Rio, Lollapalooza Brasil, Claro Q é Rock, Monsters Of Rock, Summer Break Festival, Tim Festival, Knotfest, Summer Breeze, Mita Festival entre outros. Na lista de entrevistados, nomes como Black Sabbath, Aerosmith, Queen, Faith No More, The Offspring, Linkin Park, Steve Vai, Legião Urbana e Titãs.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem